Em 1994 um adolescente americano suicidou-se no seu Mustang amarelo. No seu funeral, pais e amigos distribuíram fitas amarelas como forma de sensibilização e alerta para a questão do suicídio e desde então foi criada uma Campanha de Prevenção do Suicídio, alargada a vários países, que adoptou a cor amarela como símbolo.
“O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, dia 10 de Setembro, visa mudar atitudes em relação ao suicídio e à doença mental, aumentar a literacia em saúde mental e lutar contra o estigma e incentivar ao pedido de ajuda às pessoas em risco para reduzir o número de suicídios em Portugal” – DGS https://saudemental.min-saude.pt/category/plano-nacional-de-prevencao-do-suicidio/
Falar sobre suicídio não é fácil; mexe com ideias pré concebidas, com rótulos, com mitos e com medos. Falar de suicídio adolescente é particularmente sensível e se for suicídio infantil, então, é mesmo tabu. Porque nos coloca perante uma ideia absolutamente impensável: o alguém querer deixar de viver por sua vontade. E, no entanto, é isso mesmo: há quem queira deixar de viver porque acredita que só assim deixará de sofrer.
Existem muitos mitos sobre suicídio:
- “Se alguém fala sobre a intenção de suicidar-se, é pouco provável que o faça” – Muitas pessoas falam sobre as suas intenções antes de passarem ao acto
- “Não há nada a fazer para evitar um suicídio” – Geralmente existem alguns sinais de alerta, que permitem procurar ajuda especializada a tempo de evitar o suicídio
- “Quem pensa em suicidar-se não aceita ajuda” – Muitos comportamentos que antecedem as tentativas de suicídio são pedidos de ajuda; a pessoa simplesmente não consegue ver outra saída que não seja o suicídio
- “O suicídio é um acto impulsivo” – As pessoas geralmente pensam bastante sobre o assunto antes de passarem ao acto e chegam até a planear como irão fazer
- “Quem fala sobre suicídio ou tenta suicidar-se só quer chamar a atenção” – As pessoas verbalizam as suas intenções numa tentativa de obterem ajuda pois não conseguem ver outra solução
- “Falar sobre suicídio com alguém deprimido pode levá-lo a suicidar-se” – Uma pessoa deprimida pode encontrar alívio ao poder falar sobre os seus receios e as suas intenções, conseguindo até obter ajuda
- “Pessoas inteligentes e bem sucedidas não se suicidam” – O suicídio tem uma forte relação com doenças mentais como a depressão; não depende das capacidades cognitivas ou do nível económico
- “As pessoas que se suicidam são fracas e cobardes” – As pessoas que decidem terminar a sua vida debatem-se durante muito tempo com essa intenção e, muitas vezes, sofrem de depressão sem terem tido o tratamento adequado; procuraram ajuda em vão ou esconderam o seu sofrimento dos outros por muito tempo

Sinais de Alerta
- Dificuldades de concentração
- Diz que não tem esperança no futuro
- Isolamento social
- Irritabilidade
- Oscilações bruscas de humor
- Alterações no apetite
- Dificuldades de sono
- Consumos de álcool e/ou drogas
- Diz que quer morrer
- Comportamentos arriscados e imprudentes
- Sente-se um fardo para os outros
- Sentimentos de culpa avassaladores
- Não vê solução para os seus problemas
- Sente-se encurralado/a
- Descuida a imagem pessoal
- Perda de interesse pelas suas atividades habituais
- Já procurou formas para se matar
- Sofreu uma perda marcante
- Doou pertences a outras pessoas (geralmente objectos com grande valor sentimental)
- Despede-se de quem gosta como se fosse a última vez que os verá
- Organiza os seus assuntos e prepara o momento da morte (ex: faz testamento)
É extremamente importante que se procure ajuda especializada perante estes sinais de alerta! Médico de família, Psicólogo ou Psiquiatra são os profissionais indicados numa primeira abordagem (Farmacoterapia e Psicoterapia). Depois, no âmbito de um tratamento multidisciplinar, poder-se-ão acrescentar outras terapias complementares (Arte terapia, Meditação, Yoga, Terapia com Animais, por exemplo).

Sintomas de Depressão nos Jovens
- Falta de entusiasmo, energia ou motivação;
- Tristeza e humor deprimido;
- Vontade de chorar frequente;
- Afastamento ou isolamento de atividades sociais;
- Não sentir gosto ou vontade por nada;
- Não querer estar com pessoas, mesmo amigos próximos;
- Confusão ou dificuldade em tomar decisões;
- Baixo rendimento escolar;
- Absentismo escolar;
- Alterações no apetite;
- Insônia e distúrbios de sono;
- Baixa autoestima ou sensação de culpa;
- Desleixo com aparência e higiene pessoais;
- Abuso de álcool e/ou drogas;
- Ansiedade ou medos;
- Pensamentos recorrentes que causam perturbação emocional;
- Inquietação ou irritabilidade;
- Comportamentos de risco (ex: conduzir a alta velocidade; desportos que envolvem grande perigo de vida)
Onde procurar ajuda
Linhas de Apoio https://www.aeflup.org/linhas-de-apoio
Associação-Portugal https://www.spsuicidologia.com/
Campanha Setembro Amarelo-Brasil https://www.setembroamarelo.com/
DGS: Manual para a Comunidade https://saudemental.min-saude.pt/wp-content/uploads/2020/09/01-LIVRO_PREV_SUIC_COMUNIDADE08092020.pdf

Tomando juntos uma boa dose de camomila, quente ou fresca, vamos conversar abertamente sobre suicídio com aquela pessoa que achamos estar a precisar de ajuda. Por vezes a mera disponibilidade, o sincero acto de querer saber como o outro está, já ajuda bastante. E o saber ouvir. Não tenha receio de não saber o que fazer ou o que dizer: ouça apenas e disponha-se a ir com a pessoa procurar ajuda especializada ou ligar para uma Linha de Apoio. É o bastante para salvar uma vida.

👏👏👏😘
GostarGostar