
Recentemente fomos “acordados” para o problema dos Desafios nas Redes Sociais pelo “caso Archie”, um adolescente britânico de 12 anos, em morte cerebral, depois de ter participado no “Desafio do Apagão (em tradução livre), no Tik Tok. A mãe encontrou-o, já inconsciente, com uma ligadura em volta do pescoço. Este Desafio incita os participantes a apertarem o pescoço até perderem os sentidos, usando uma corda, um cinto ou outro objeto semelhante e existe nas Redes Sociais pelo menos desde 2007. Pelo menos 7 mortes de crianças/adolescentes já foram relacionadas com este Desafio, a nível mundial, a acrescentar a muitos outras situações de coma e internamento com lesões cerebrais.
Perigoso como este, existem outros: o Desafio em que se toma determinado anti-histamínico em doses excessivas para induzir estados alucinatórios, o Desafio com a imagem de uma boneca assustadora (que pode causar dano psicológico grave em crianças), e o Desafio com nome de cetáceo (que incita à automutilação e tentativas de suicídio), entre muitos outros. Não falta imaginação quando o objetivo é incitar pessoas influenciáveis a fazerem mal a elas próprias!
O que leva os adolescentes a aderir a estes Desafios?
A adolescência é por natureza uma fase de descoberta, inquietude, procura de aventura e muita instabilidade emocional. Se juntarmos a isto a falta de acompanhamento parental, um suporte social frágil e relações familiares ou de amizade reduzidas ou inexistentes, temos a “tempestade perfeita”!
Através da participação nestes Desafios, os adolescentes podem procurar:
- Satisfazer um desejo de ser aceite num grupo;
- Sentir alívio de um sofrimento interior;
- Fugir ao sentimento de solidão;
- Afirmar-se através de comportamentos perigosos;
- Sentir emoções “fortes” e experimentar sensações novas.
O que podem os pais fazer?

Os pais, ou quem assume a função parental, têm um importante papel na prevenção destes comportamentos de risco.
Podem, concretamente:
- Dar o exemplo de como se devem usar as Redes Sociais e quais os cuidados a ter nas interações nessas Redes (relativamente ao tempo de uso e as solicitações de amizade, por exemplo);
- Estabelecer regras de utilização dos dispositivos com acesso à internet (quando e onde);
- Exercer de forma consciente o controlo parental (consultar o histórico de pesquisa e navegação; conhecer as Redes Sociais que os filhos usam);
- Dialogar com os filhos sobre os riscos dos Desafios das Redes Sociais;
- Manter uma presença e acompanhamento dos filhos, conversando com eles sobre as suas atividades diárias e ouvir o que pensam;
- Ajudar os filhos a manter uma saudável gestão emocional e aprender a auto controlar-se;
- Fomentar atividades em família, em grupo, desportivas, ao ar livre, etc…, contrariando a prevalência de dispositivos eletrónicos e fortalecendo os contactos sociais presenciais;
PROIBIR, BLOQUEAR, IMPEDIR NÃO É A SOLUÇÃO!
Qualquer regra, qualquer medida a implementar, qualquer mudança, deve ser falada e ser aceite pelo adolescente. Para isso ele tem de a julgar justa e adequada à situação. De outro modo, nunca irá aderir a ela! O diálogo e a negociação são a base para mudanças concretas e eficazes.
Os pais devem também reportar todo o conteúdo perigoso ou ilegal à plataforma onde o visualizam ou então às autoridades (PSP, Polícia Judiciária). Podem, ainda, obter informação e ajuda nos seguintes links:
https://www.apav.pt/cibercrime/index.php/linha-internet-segura
https://www.miudossegurosna.net/
Por fim, e não menos importante, procurar apoio psicológico para os filhos e aconselhamento parental nos casos em que a situação se revele difícil de gerir por meios próprios.
Assumir a função parental é um dos maiores privilégios que a vida nos pode oferecer. Mas é também um enorme Desafio! Quando se sentir assoberbado/a, tire um tempo para si, tome uma boa dose de camomila, procure ajuda e reequilibre-se. Vai ver que vale a pena.
