Luto – Quando a vida perde a cor

O luto é o processo de reação e adaptação após uma perda significativa. Geralmente, associa-se o luto à morte de alguém de quem se gosta, mas o luto é algo muito mais abrangente. A perda pode ser realmente a morte de alguém que nos é próximo e querido, mas também pode ser uma perda gestacional, por exemplo (uma gravidez que não chega ao fim do tempo, um aborto no início da gravidez ou um nado-morto). Pode ser também a perda de um animal de companhia com quem a pessoa tinha uma ligação muito próxima (embora a ideia de comparar a perda de um ser humano à perda de um animal de estimação choque muitas pessoas). A questão-base para se falar de luto decorrente de uma perda, é sempre a ligação emocional que existia entre o ser que morreu e o que sobreviveu.

O Luto é a reação natural a uma perda

Mas existem outros tipos de perda. A perda do emprego, da casa, do nível de vida, de uma relação amorosa ou de uma amizade. Estas perdas também implicam processos de luto, mais ou menos demorados consoante a capacidade de adaptação e resiliência da pessoa afetada. Há ainda a perda relacionada com algo que se esperava, mas não aconteceu – a perda de uma expectativa – como por exemplo não ter sido promovido no emprego, não entrar na faculdade ou no curso que tanto queria, não conseguir ser pai ou mãe biológico, não casar, não ser saudável (ser diagnosticado com uma doença crónica) ou não ter um corpo “perfeito” (ter uma condição clínica que afete drasticamente as formas corporais ou um acidente que resulte em deficiência/incapacidade física). Existe ainda um tipo de perda, relacionada com as expectativas que os pais têm sobre a vida dos seus filhos, e que pode resultar em processos de luto: os filhos não seguirem a “profissão de família” ou não corresponderem à orientação sexual prevista pelos pais. Esta perda pode ser tão avassaladora que compromete a relação pais-filho/a, levando por vezes ao rompimento insanável da ligação.

A perda de expectativas pode desencadear também um processo de luto

Fases do Luto

O processo de Luto segue uma sequência de 5 fases:

  • Negação, a pessoa não acredita que a perda realmente aconteceu ou recusa falar sobre isso
  • Raiva, a pessoa revolta-se com o que aconteceu e não se conforma
  • Negociação, a pessoa desenvolve fantasias sobre como reverter o ocorrido
  • Depressão, a pessoa sente um grande vazio e não acredita que irá sair desta situação
  • Aceitação, aos poucos a pessoa vai superando o acontecimento e vai-se reorganizando

Não existe um tempo-padrão para o processo de luto decorrer. Tudo depende da estrutura de personalidade da pessoa enlutada, da sua resiliência, da sua capacidade de adaptação e da sua rede de suporte social. O luto “normal” pode ser mais rápido (alguns meses) ou demorar mais de 1 ano. O luto patológico é aquele que se fixa numa das fases e não evolui para a fase da Aceitação; os sintomas mantêm-se muito intensos e existe um grande sofrimento associado. O processo “normal” de luto pode ou não necessitar de intervenção médica (antidepressivos e ansiolíticos) e psicológica. O processo patológico requer sempre uma intervenção especializada para se desbloquear.

O choro fácil, alterações do sono e do apetite, desmotivação, isolamento e cansaço são sintomas habituais no luto

Intervenção no Luto

O tipo de intervenção mais eficaz, segundo a literatura científica, é a combinação da farmacoterapia e psicoterapia. Cada uma delas, isoladamente, não obtém tão bons resultados. Assim, a par da medicação ajustada a cada situação, deve implementar-se um programa de intervenção psicológica orientado para acompanhar a pessoa nas várias fases do luto, com vista a promover a superação da perda e uma boa adaptação à nova situação.

De acordo com a investigação, as Terapias Cognitivo-Comportamentais são as que apresentam os melhores resultados nas situações de luto. A 3ª Geração destas Terapias, que inclui técnicas como o Mindfulness, vem apresentar novas formas de tratamento bastante promissoras.

O suporte social e a terapia são essenciais para um processo de luto salutar

Alguns Programas Baseados em Mindfulness para intervenção na Depressão e Luto são:

  • MBCT – Mindfulness-Based Cognitive Therapy (Teasdale, Williams & Segal, 2012)
  • Mindfulness Self-Compassion (Germer & Neff, 2013)
  • Terapia de Aceitação e Compromisso (Hayes, 2012)
  • Terapia Comportamental Dialética (Linehan, 1993)

A investigação tem mostrado que a prática de Mindfulness, ou Atenção Plena, tem resultados promissores na redução dos sintomas associados ao luto, pois aumenta a autoconsciência, diminui a autocrítica e potencia a aceitação e a autocompaixão. Estudos também apontam para que a prática regular de Mindfulness reduz a necessidade de medicação antidepressiva.

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Se está a passar por um luto, saiba que existem ajudas disponíveis. Comece pelo seu médico e procure também ajuda psicológica. Permita-se sofrer e dê-se o tempo necessário para recuperar. Tome uma boa dose de camomila e acredite em si e na sua capacidade de superar esta perda. É provável que nunca a esqueça, mas aprenderá a lidar com esta dor e a prosseguir.

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