O mês cor-de-rosa

“Outubro Rosa” é o nome do Movimento surgido nos anos ’90 do século passado nos EUA, com o objetivo de chamar a atenção para a importância da prevenção do Cancro da Mama, tendo sido escolhido o laço cor-de-rosa como símbolo. Este Movimento alargou-se então a outros países do mundo e atualmente poucas pessoas estarão alheias ao seu significado.

Em Portugal, a Liga Portuguesa contra o Cancro dinamiza ações alusivas a esta temática, bem como divulga informação relevante sobre a prevenção, diagnóstico e tratamento do Cancro da Mama. https://www.ligacontracancro.pt/outubrorosa/

O Cancro da Mama é a doença oncológica que mais afeta a mulher e também a mais prevalente de entre todas as formas de cancro, em Portugal e no Mundo. Embora seja geralmente associada ao sexo feminino, esta doença também afeta o homem (1 em cada 100 casos de cancro da mama ocorre em homens).

Fatores de Risco

  • Idade acima de 50 anos
  • Sexo feminino
  • História prévia de cancro da mama
  • Alterações genéticas
  • Excesso de peso
  • Consumo de tabaco
  • Consumo excessivo de álcool
  • Nas mulheres, a 1ª menstruação antes dos 12 anos e a menopausa após os 55 anos

“Se diagnosticado e tratado precocemente, o cancro da mama tem uma taxa de cura superior a 90%. A prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais para o aumento da sobrevivência e manutenção da qualidade de vida” Liga Portuguesa Contra o Cancro

A ansiedade pré e pós diagnóstico é perturbadora

O diagnóstico de cancro é bastante temido, pelas suas implicações na saúde e vida da pessoa. Afeta o próprio indivíduo, a sua família, os amigos mais próximos e tem também consequências no seu local de trabalho, constituindo uma crise do ciclo de vida que exige um reajustamento de todos. As reações iniciais da pessoa diagnosticada com cancro equivalem a um processo de luto, com 5 fases distintas: Negação, Raiva, Negociação, Depressão e Aceitação. O tempo que a pessoa demora a passar estas fases pode variar, assim como pode deter-se numa delas sem evoluir, o que corresponde a um luto patológico. De qualquer das formas, seja um luto “normal” ou patológico, carece sempre de um acompanhamento especializado, sobretudo nas áreas da Psiquiatria/Psicologia, a par, obviamente das especialidades médicas e de enfermagem oncológicas.

São várias as áreas em que a pessoa diagnosticada com Cancro da Mama foca as suas preocupações.

  • Como é natural, o risco de vida e as ideias de morte são as primeiras a surgir. Os medos relativos à sua sobrevivência, às consequências para as pessoas que ficam quando morrer (filhos, cônjuge, pais, amigos) mas, sobretudo, o medo da morte e todas as questões relativas ao que “vem a seguir” trazem uma carga emocional avassaladora para a pessoa.
  • Como irá reagir aos tratamentos e lidar com a dor. Chamada a tomar decisões sobre o processo terapêutico, a pessoa com cancro vê-se muitas vezes incapaz de fazer escolhas, tendo muitas dúvidas e questões por responder, sentindo-se confusa e desorientada.
  • Quando se coloca a necessidade de rapar o cabelo e/ou de uma Mastectomia (remoção da mama, total ou parcial), surgem os receios associados à própria cirurgia, mas sobretudo os relacionados com a imagem corporal. Mesmo após uma reconstrução mamária, muitas pessoas apresentam dificuldades em aceitar e assimilar a sua nova imagem corporal.
  • A reação dos outros, principalmente a do cônjuge, filhos, pais e amigos mais próximos. A pessoa com cancro receia ser olhada de forma diferente, ser alvo de discriminação ou de pena, receia perder a sua autonomia e o envolvimento social que tinha até então.
A Esperança e o Apoio Social são fatores-chave na recuperação do doente oncológico

A pessoa com cancro necessita de um apoio psicológico especializado, já desde a fase de pré-diagnóstico, quando ainda não fez os exames de despiste e há apenas suspeitas de que possa ter doença oncológica. A estabilização emocional é bastante relevante, assim como a gestão do stress, pois é sabido que este estimula a produção de uma hormona – cortisol – que compromete o desempenho do sistema imunitário. E isso é tudo o que não se quer que aconteça num doente oncológico.

Existem já alguns Programas Baseados em Mindfulness especialmente dirigidos para doentes oncológicos. Um deles é o Mindfulness-Based Intervention in Cancer Recovery (Intervenção na Recuperação de Cancro Baseada em Mindfulness), dinamizado pelo Centro de Prática e Estudo de Mindfulness da Universidade de Aveiro: http://mindfulness.web.ua.pt/?page_id=2215

Outro Programa é o Mindfulness-Based Pain Management (Gestão da Dor Baseado em Mindfulness): https://www.breathworks-mindfulness.org.uk/mbpm, que pode ser acedido em português no livro de Vidyamala Burch e Dr Danny Penman-Mindfulness para a Saúde, livro que é complementado com um CD de meditações guiadas (pode ser facilmente encontrado em livrarias físicas e online, como por exemplo: https://www.wook.pt/livro/mindfulness-para-a-saude-vidyamala-burch/17433377).

O objetivo destes programas é manter a pessoa emocionalmente estabilizada, com níveis de stress, depressão e ansiedade controlados, por forma a ajudar no processo terapêutico para a doença oncológica. Ajudam também a lidar com a dor, ao mesmo tempo que se promovem atitudes de aceitação e de esperança, tão fulcrais na recuperação. Estudos apontam para resultados da sua aplicação bastante animadores.

Existe ainda um outro fator de enorme relevância no processo de recuperação: o suporte social. Cônjuge, família e amigos são de uma importância incomensurável. Sobretudo porque são também eles, muitas vezes, os cuidadores na fase mais difícil da doença: o pós-tratamento de quimioterapia ou o pós-operatório. É essencial que a pessoa com cancro vá acompanhada às consultas e tratamentos, que possa conversar e falar sobre o que sente, que tenha uma mão para apertar e um ombro amigo onde chorar.

E com quem possa tomar uma boa dose de camomila.

E, cuidador, cuide também de si!

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