9 Atitudes para ser Mindful

Certamente já ouviste falar de Mindfulness. Podes ainda não saber bem o que é, pois existem atualmente muitas derivações do conceito original, com muitas adaptações e acrescentos. O termo Mindfulness foi criado por John Kabat-Zinn nos anos ’70 do séc. XX, quando iniciou nos Estados Unidos um programa de Redução do Stress e Ansiedade baseado em práticas de meditação budistas. Estas meditações assentavam sobretudo em técnicas de respiração e em alguns princípios da tradição budista, a que Kabat-Zinn chamou Atitudes. Trata-se, portanto, de uma abordagem secular (não religiosa ou espiritual) que parte do pressuposto de que é necessária uma boa interação corpo-mente para se atingir a cura.

“Mindfulness é a consciência ao prestar atenção, de forma intencional, no momento presente, sem julgamento” -Kabat-Zinn

Pode-se traduzir Mindfulness como Atenção Plena, Presença Consciente ou Consciência Plena, referindo-se a um estado de conexão com o Presente, sem se estar preso no Passado ou no Futuro. De uma forma simples: a pessoa foca-se apenas na sua respiração e fica totalmente alerta para os sons, sensações e estímulos do momento presente, mantendo intencionalmente a sua atenção nesses elementos. Pode fazê-lo de pé ou sentada, de olhos abertos ou fechados, em silêncio ou no meio de ruído (sim, porque o que importa é focar a atenção; por isso o meio envolvente é secundário). Não se requerem posições acrobáticas, nem fundos musicais específicos, nem locais especiais. É no “aqui e agora”, onde estamos e como estamos, sem mais complicações. Pode demorar 1 min ou horas. É assim tão simples.

Mindfulness é estar presente de forma consciente, no aqui e agora

Para amplificar os efeitos da prática respiratória e dar sentido à meditação, Kabat-Zinn considera essencial adotar 9 Atitudes (inicialmente falava apenas em 7, mais tarde acrescentou mais 2). Vamos lá conhecê-las melhor:

1. Mente de Principiante / Curiosidade

Ao praticar a Atenção Plena, devemos encarar o momento presente com curiosidade e ver as coisas como se fosse a primeira vez, olhando-as com mente de principiante. Trata-se de ver as coisas de uma outra perspetiva, sem expectativas ou ideias formadas, abrindo-se a novas possibilidades e explicações. Pode ser bastante revelador.

2. Não Julgamento / Sem crítica

Esta atitude contraria algo que é bastante enraizado em nós: a tendência para emitir opinião negativa, fazer reparos, recriminar, julgar e condenar…geralmente a nós próprios! Cultivar esta atitude de não julgamento não implica que vamos deixar de ser críticos; implica sim que vamos estar mais conscientes de quão julgadores somos e permite-nos ver as coisas e as outras pessoas de uma forma mais realista.

3. Aceitação

Esta atitude nada tem a ver com acomodação, resignação ou passividade. Trata-se de uma ação: reconhecer que algo é como é e nada podemos fazer para alterar essa realidade. Trata-se de aceitar que nem sempre as coisas são como desejamos. Permite-nos avançar e tomar decisões com discernimento e clareza, em vez de ficarmos presos ao “se tivesse sido de outra forma…”.

4. Desapego / Deixar ir

É possível não nos envolvermos com as situações, sobretudo com aquelas que não controlamos (que basicamente são…todas!). No entanto, temos a tendência para nos apegarmos ao que nos é agradável ou confortável, sejam situações ou pessoas. Ao nos libertarmos deste laço que nos prende a determinadas relações ou a resultados, podemos fazer escolhas sem culpa e com maior consciência.

5. Confiança

Pressupõe acreditar que tudo irá ser como tem de ser…seja lá que resultado for, e que somos capazes de lidar com isso de forma equilibrada e consciente, sem perdermos o nosso chão. Implica acreditar em nós e nas nossas capacidades de adaptação e resiliência, assim como na sabedoria natural do nosso corpo, que é capaz de detetar situações de perigo (quando nos sentimos inquietos em determinados sítios, sem sabermos bem porquê) ou de malefício (quando estamos a comer algo que nos fará mal e essa comida nos desencadeia logo de início uma reação de aversão).

6. Paciência

Trata-se de aceitar que as coisas têm o seu tempo próprio e que existem processos que simplesmente não se podem apressar – é preciso esperar que aconteçam no momento certo. É uma atitude que deve aplicar-se ao nosso desenvolvimento pessoal, por exemplo: de nada vale tentar acelerá-lo. Tudo irá acontecer em seu devido tempo. Só nos resta aguardar, com confiança e aceitação.

7. Sem Forçar / Não fazer

Parece algo contra-intuitivo, mas realmente o Não Fazer, o deixar acontecer e apenas observar, pode ser bastante retemperador na meditação Mindfulness. É não tentar chegar a algum objetivo, é não ter planos, é não querer fazer algo acontecer. É não forçar. Deixar estar e aceitar o que vier. Seja agradável ou desagradável. Simplesmente ficar. Este estado de não-ação é tremendamente reparador apenas e só porque não sentimos a obrigação de fazer seja o que for.

8. Gratidão

Agradecer pelas experiências, boas e menos boas, permite-nos ver com clareza que nem sempre tudo é negativo; que existem ganhos até nas perdas, se soubermos analisar bem as situações com discernimento e consciência. Ao valorizarmos até as pequenas ocorrências da nossa vida, percebemos como somos ricos em experiências que nos fazem crescer e evoluir como pessoas. É o passo crucial para saborear a felicidade de estarmos vivos.

9. Generosidade / Compaixão

Partilhar com outros, quer sejam bens materiais, quer seja a nossa atenção, dá-nos uma sensação de conexão com o mundo que nos rodeia, um sentimento de união e de pertença. Realmente não estamos sós, fazemos parte de um todo, contribuindo com a nossa individualidade e recebendo dos outros as suas dádivas pessoais também. Tomamos consciência de que somos todos muito parecidos, que sofremos de maneiras muito semelhantes e que todos merecemos compaixão.

Cultivar as atitudes de Atenção Plena com Paciência e Aceitação

Muitas destas Atitudes colidem frontalmente com a forma como nos tratamos ou tratamos os outros diariamente. Por isso requer-se treino (muito treino!) para que sejam embutidas nos nossos hábitos. E é isso o Mindfulness, ou Consciência Plena: percebermos como temos andado a ver o mundo, a preocuparmo-nos com o que não podemos mudar, a ficarmos ansiosos por causa de expectativas que só nós criámos. A solução passa então por tomar uma boa dose de camomila, prestando atenção a todas as sensações e começando a cultivar todas estas novas atitudes, começando pelo não julgamento, a mente de principiante, a aceitação e a paciência. As outras se lhes seguirão não tardará. Boas experiências com Consciência Plena!

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