Tudo começou na cidade de Stonewall nos Estados Unidos, no dia 28 de Junho de 1969, quando gays, lésbicas e travestis se manifestaram nas ruas contra o tratamento discriminatório a que eram sujeitos pelas autoridades e pela polícia. Os tumultos prolongaram-se por 6 dias e ficaram conhecidos como Stonewall Riot. Aqui nasceu o movimento LGBT (L=lésbicas, G=gays, B=bissexuais, T=transgénero) em defesa dos direitos destes grupos, mais tarde alargado para LGBTQ (Q=queer ou seja quando as pessoas se identificam de forma fluída com os outros grupos), entretanto acrescentado de LGBTQI+ (I=interssexuais, os antigamente chamados hermafroditas; “+”=outras variações a nível de género, identidade sexual, orientação sexual e simpatizantes da causa). Escolheu-se a palavra “PRIDE” (Orgulho) como mote e a bandeira com as cores do Arco-Íris como símbolo. E fizeram-se Paradas. E instituiu-se o Dia do Orgulho Gay.

Confesso que toda esta exibição me incomoda. Não porque eu seja contra os direitos das pessoas que se revêem no Movimento LGBTQ mas simplesmente porque não creio que esta seja a melhor forma de conseguirem os seus intentos. Serei muito clara: o Dia do Orgulho Gay, tal como o Dia da Mulher, não deviam sequer existir! E porquê? Porque infelizmente a sua existência é a prova de que toda a comunidade LGBTQ (e as mulheres) não são respeitadas enquanto tal. Não são aceites na plenitude dos seus direitos. E por isso achou-se que a resposta era instituir um Dia. Mas o que se faz nesse Dia? Marchas, Paradas, almoços, jantares, flores…e depois volta tudo ao que era dantes. É por isso que me incomoda: ver como é inglória esta luta travada desta maneira. Não vejo resultados concretos. Basicamente, é só um Dia no ano…
Mas a nossa vida corre todos os dias. Convivemos com pessoas todos os dias. Trabalhamos com pessoas todos os dias. E não podemos fazer de TODOS os dias Dia da Mulher ou do Orgulho Gay. E também não me agrada a ideia de andarmos todos com o arco-íris ao peito. Infelizmente, lembra-me outra época, em que os prisioneiros dos campos de concentração nazis eram catalogados e identificados por cores, conforme as classificações de risco. Por que cargas de água uma pessoa deve andar de cores ao peito para se “identificar” como LGBTQ perante o resto da sociedade? Não será isto também uma forma de se auto discriminar? Não terão estas pessoas o direito básico à sua privacidade? Por que raio haverão de expôr publicamente a sua identidade sexual, orientação sexual ou género? Eu acharia isso um ultraje, uma indignidade! Devo ser respeitada simplesmente porque sou uma pessoa, o resto só a mim diz respeito e a quem partilha a vida comigo!

O que fazer então?
Penso sinceramente que a resposta está na educação desde a mais tenra idade. Quando habituamos as crianças a fazerem distinções de pessoas com base no que vestem, na sua cor de pele, nas dimensões do seu corpo e outras características como estas, ensinamos as crianças a catalogarem e a rotularem. E é aí que tudo começa. Porque não vermos apenas uma pessoa como uma pessoa? Com as suas qualidades, as suas capacidades, os seus dons…e abstrairmo-nos da sua aparência física, da sua cor de pele, da sua religião, do seu sotaque, do(a) seu(sua) namorado(a).
Vamo-nos olhar com os olhos do coração, sem rótulos! Com respeito pela diversidade de todos nós, que só enche de cor a nossa sociedade, a enriquece com formas diferentes de ser. Para que não sejam mais precisos Dias politicamente definidos para tratarmos pessoas iguais a nós com a consideração que sempre mereceram.
Hoje sou eu quem precisa de uma boa dose de camomila. Mas partilho-a de bom grado convosco, qualquer que seja a vossa orientação, identidade ou género.
