Vivemos numa ditadura estética. Revistas de moda, programas televisivos, imagens nas Redes Sociais propagam e incentivam um modelo de corpo magro e tonificado. Muitas pessoas sujeitam-se a autênticas torturas para atingirem esse padrão…para depois se confrontarem com a frustração das suas expectativas. Escrevem-se torrentes de livros sobre dietas milagrosas, “segredos” fabulosos para perder peso, “truques” infalíveis para alcançar o corpo perfeito… E nós, na busca incessante pela aceitação social, vamos submetendo o nosso corpo e a nossa vontade a restrições mirabolantes, brincando com a nossa saúde física e debilitando cada vez mais a nossa saúde mental. O corpo insiste em não corresponder às nossas exigências e a mente vai sucumbindo à desilusão dos constantes insucessos. E adoecemos, de corpo e de mente.
A alimentação equilibrada e o exercício físico são basilares para a nossa saúde. Mas fazer da alimentação ou do exercício uma obsessão transforma algo potencialmente agradável e prazeroso em algo atemorizante e extremamente stressante. Subverte completamente os objetivos de uma dieta equilibrada, pois as restrições alimentares traduzem-se em restrições emocionais que vão depois procurar compensação…na comida. Para além de que minam a nossa autoestima e nos predispõem para a depressão.
Não gostas do meu corpo? Temos pena!

Quando alguém foge ao padrão e expõe o seu corpo, sem complexos, com grande segurança e à-vontade, é imediatamente rotulado. A sociedade procura que os seus indivíduos sejam “normalizados”, na aparência, nos hábitos e nos comportamentos – isso torna-os controláveis. Sair dos padrões nunca é bem visto; é sinal de irreverência, de independência, de não acomodação às normas. A sociedade vê isso como um perigo: se o indivíduo resiste a seguir as normas-padrão para o corpo, o que fará a seguir????
Quando não se está confortável com as “curvas” ou “esquinas” bem assumidas dos outros, quando essa imagem choca, quando se tenta evitar olhar para os corpos mais roliços ou mais magros, esse comportamento só revela o medo e a insegurança de, ao perder o controlo, se ficar com um corpo assim. É o medo de ficar diferente da norma, o medo de ser rotulado, o medo de ser apontado…o medo de ser socialmente excluído.
Se não consegues olhar para corpos que fogem aos padrões, então tu precisas fazer terapia.
Precisas trabalhar a aceitação das diferenças, trabalhar os preconceitos assumidos pela educação ou influência social, precisas aprender a valorizar as pessoas em vez da sua imagem, precisas reequacionar as tuas certezas e fazer uma reestruturação cognitiva dos teus medos. Precisas reforçar a tua autoestima e a tua autoconfiança, perceber o teu lugar na sociedade, entender o que sustenta as tuas relações pessoais: serão os pontos em comum ou a procura de pertença num grupo?
Toma uma boa dose de camomila, respira fundo e marca a tua sessão de terapia.

